“Chegou o melhor dia da viagem!” era o que o meu irmão me dizia, quando iniciávamos a viagem de regresso a casa. Sim, tinha razão! Já lá vão muitos anos, mais de vinte…

As primeiras viagens que fiz, após o acidente, não foram um prazer, não foram descontraídas nem felizes. Estava ainda a habituar-me a uma nova e dolorosa realidade e porque, há vinte anos, falar de acessibilidades não era muito comum.

O meu lema sempre foi adaptar-me ao mundo e não, esperar que o mundo se adapte a mim. Com isto, quero dizer que nos devemos “moldar” o mais possível ao que nos rodeia. Porque, se adaptamos muito as coisas à nossa volta, torna-se muito mais difícil sair da nossa zona de conforto. Há, no entanto, um mínimo que podemos e devemos exigir. Todos nós, sejam quais forem as nossas limitações, temos o direito de sair, viajar, brincar, divertirmo-nos, fazermos as coisas de que gostamos em condições dignas e  com igualdade de oportunidades.

Ao longo destes anos fiz algumas viagens. Fui, assim, acompanhando a evolução das acessibilidades quer a nível arquitectónico, quer a nível de mentalidades.

Não consigo indicar qual o melhor local, por onde passei, porque todos têm pontos fortes e fracos. Posso falar de um país como a Holanda em que somos tratados como iguais e nos deixam o saco das raquetes de ténis à saída do avião, e agora “desenrasca-te!”; Posso falar de um país como a China em que ficam a olhar, nem sempre para nós, mas para o acessório estranho que temos na cadeira de rodas ou posso falar de países como os da Escandinávia, Canadá ou Espanha  já muito evoluídos em termos de mentalidades.

No que respeita a barreiras físicas, o assunto complica-se um pouco, mas nada que me tenha impedido de andar de gondola em Veneza, de metro na labiríntica Hong Kong, de comboio na China, de autocarro público no Canadá, de barco nos fiordes da Noruega ou de helicóptero no Rio de Janeiro.

Portugal? Sinceramente, Portugal está muito bem, muito evoluído já que temos cidades sem obstáculos, hotéis acessíveis, restaurantes com óptimas condições e mentalidades muito abertas!

Mantém-se o “melhor dia da viagem” mas, agora, o melhor dia é o da partida.

“Viajar é maravilhoso!”

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4 Comments

  1. Gosto! Definitivamente gosto desta escrita que escorre pelas ruas das cidades como uma coisa viva. Gosto destas histórias, vividas na primeira pessoa, que nos mostram um mundo tão diferente e tão igual ao que nos rodeia. Gosto Kiki. Gosto mesmo!

    • Sofia Reply

      Palavras muito importantes e de grande incentivo para continuar. Ainda bem que gosta! Obrigada António

  2. Adorei Kiki!!!!
    A tua força e garra são um exemplo e um incentivo !!!
    Continua minha querida.
    Espero notícias em breve!
    Mil beijinhos

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