A viagem de comboio, de Xangai a Pequim durou cerca de cinco horas, tendo sido uma surpresa muito agradável ao nível das acessibilidades, tanto na estação como dentro da carruagem, a qual era destinada a pessoas com mobilidade reduzida.

A paisagem que nos acompanhou esteve, sempre, envolta numa intensa nebulosidade. Custou-nos a acreditar mas era mesmo poluição! O tão falado Smog.

Durante os dias que estivemos na China, notou-se sempre uma camada de poluição no ar que não deixou, praticamente nunca, ver o céu limpo, a não ser depois de uma chuvada que durou alguns minutos o que fez com que, no dia seguinte, e último dia da viagem, se vissem pessoas a tirar fotografias ao céu azul.

O primeiro dia que estivemos em Pequim foi reservado para a Grande Muralha e Palácio de Verão, pelo que decidimos alugar um carro com o mesmo guia que nos levou da estação de comboio ao hotel no dia em que chegámos. Já levávamos tudo tratado de Portugal, através de amigos que tinham vivido na China. No entanto, é possível contratar esse serviço ao hotel.

Os Jogos Olímpicos ou, mais concretamente, os Paralímpicos de 2008 fizeram com que Pequim se tornasse um pouco mais inclusivo, tanto em mentalidades como nas acessibilidades porque foram realizados muitos melhoramentos nos transportes  e respectivas estações e foram eliminadas barreiras arquitectónicas no acesso a edifícios, já que na antiga arquitectura tradicional chinesa os degraus eram grande profusão. Foram, também, criadas algumas acessibilidades a muitos locais de interesse turístico.

O facto de estar em cadeira de rodas condicionou a escolha da zona para a visita à Grande Muralha da China e tentámos uma entrada que fosse mais acessível. Era acessível, mas não muito… Os carros só podem ir até certo ponto, o que nos limitou ainda mais porque a partir daí só de autocarro, o que não foi muito fácil, não só pela entrada para o mesmo, como o não ser ‘atropelada’ por ninguém e conseguir entrar antes que preenchessem todos os lugares. Atropelada, por mim, ia sendo a senhora que tentou entrar ao mesmo tempo que eu no teleférico! Tive mesmo que a empurrar na tentativa de não a magoar com a cadeira. O acesso aos locais é sempre feito de forma desenfreada, não por antipatia para comigo mas por ser, mesmo, a forma deles se ‘desenrascarem’.

Na zona de apoio e acesso ao teleférico existe uma casa de banho adaptada, mas muito suja, onde nem sequer consegui entrar, o que aconteceu, infelizmente, mais do que uma vez durante a viagem à China.

Subi à Muralha mas não consegui avançar nela e não cheguei a saber se haveria outra zona com melhores acessibilidades. A muralha é realmente imponente! são quilómetros e quilómetros de construção… Vi-a como me foi possível porque vale a pena vê-la nem que seja de longe, e eu não quis perder tão grandiosa obra…

Bonito mesmo é o Palácio de Verão com uma enorme área de palácios, lagos e jardins. Considerado o maior e mais bem preservado jardim imperial do mundo é de uma enorme tranquilidade contrastando com o caos da cidade.

As entradas para o parque são todas acessíveis mas não dá para visitar todos os palácios, pois nem todos estão abertos e nem todos têm acessibilidade.

Jingshan Park é mais uma área de jardins e lagos no meio da cidade que vale a pena visitar. Apenas a entrada norte do parque não tem acessibilidade. O jardim é bonito mas, de cadeira, não é possível subir à colina.

A Praça de Tiananmen, uma das maiores praças do mundo, fica no centro de Pequim e dá acesso à grandiosa Cidade Proibida. Aí podem apreciar-se vários edifícios como o Parlamento ou o mausoléu onde se encontra o corpo embalsamado de Mao Tsé Tung! Milhares de Chineses prestam-lhe homenagem todos os dias. É impossível não recordar o grande massacre dos estudantes que aí reclamavam mais direitos e liberdades.

Estava um calor quase insuportável pelo que invejei as sobrinhas que as chinesas costumam usar para protegerem a pele do sol. Como eu desejei ter uma naquele momento!!!

Ao passar a porta para a Cidade Proibida a multidão aumentou. Ainda tentámos entrar mas não foi possível, naquele momento.  Pode-se visitar algumas zonas da Cidade Proibida, em cadeira de rodas, mas não a totalidade, por causa do piso irregular e dos muitos degraus. A entrada com melhor acessibilidade para cadeira de rodas, a partir da praça, é a porta que se localiza a nordeste.

Toda a gente olhava muito, não para mim especificamente, mas para a cadeira e mais ainda para o acessório que não dispenso em viagem, a freewheel , ‘A minha melhor amiga‘. O que é engraçado é que esses olhares ficaram registados em várias fotografias da viagem como pude verificar depois.

Foi durante a visita ao Palácio de Verão, num momento em que fiquei sozinha, que um senhor parou a contemplar a minha roda da frente, o que já se tornava normal. Qual não foi o meu espanto, quando se dirigiu a mim e tocou na roda … como quem faz uma festa a um cão!! Sorriu e seguiu viagem!

O melhor mesmo é passear nas ruas destas cidades e sentir como vivem e como se relacionam as pessoas. Sentir os cheiros, nem sempre agradáveis, aos quais não estamos acostumados, aproveitar a gastronomia local para provar outros sabores, outros costumes e sentir que é uma cidade com muita segurança. Há policiamento e militares por todo o lado, assim como câmaras de vigilância, o que nos permite andar na rua, tanto de dia como de noite, sem qualquer tipo de receio.

Ficámos hospedados no New World Beijing Hotel. Excelente hotel! Muito bem adaptado com banheira e uma zona de duche com banco de suporte portátil e barra fixas na parede para auxilio.

A viagem à China terminou, assim, em Pequim de onde regressámos já um pouco cansados mas de alma cheia.

JustGo!!

Links úteis:

Tips for Disabled Travelers to China

 

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