Não foi fácil chegar… ou melhor, não foi fácil aterrar!

Dizem que é comum mas, tendo a maior parte dos voos anteriores sido cancelados devido aos ventos que se faziam sentir, não ficámos muito tranquilos quando o avião começou a balançar.

O Miguel, devia ter uns 8 anos, vinha com a mãe ao meu lado, portou-se como um homenzinho e quando aterrámos, disse: – Acho que não quero voltar a andar de avião… com este piloto!! Um mimo de criança!!!

Felizmente, tudo correu bem e lá chegámos ao Aeroporto Cristiano Ronaldo. Não vimos o busto do Melhor do Mundo. Imperdoável mas, sinceramente, não me lembrei!!

A origem vulcânica da Ilha da Madeira, que a torna montanhosa e de ruas bastante inclinadas, faz com que não seja o local mais acessível onde já estive! Não é que não existam acessibilidades, elas existem. Os passeios estão rebaixados, existem lugares de estacionamento para mobilidade reduzida e rampas, muitas rampas!! O maior problema é a inclinação muito acentuada das ruas.

Para passar uns dias na Ilha e poder explorá-la, o melhor é alugar um carro. Claro que existem tours para todas as atracções da ilha mas torna-se muito mais simples, principalmente para quem tem mobilidade reduzida, alugar um carro e não estar dependente de horários e transportes adaptados.

Passear pela ilha, de carro, é uma verdadeira aventura, por vezes radical … Apanhámos alguns sustos. Passámos por ruas tão inclinadas que pensámos que o carro não teria força para as subir, aliás é melhor não alugar o carro mais barato e, consequentemente, com menos potência! A pior situação que tivemos foi quando, numa dessas subidas, nos aparece um autocarro pela frente no qual, por pouco, não batemos. Situações em que a última coisa que queremos é abrandar e, muito menos, parar porque, depois, é uma carga de trabalhos e uma quantidade enorme de palavrões que temos de ouvir de quem vai a conduzir!!

Rumo a Porto Moniz, foram várias as vezes que nos cruzámos com as nuvens.  Passámos por paisagens lindíssimas no caminho montanhoso que fizemos até lá. Já no regresso, não podíamos deixar de escolher a antiga estrada que percorre a encosta daquela zona da Ilha pelo menos nos troços permitidos já que muitos se encontram encerrados por questões de segurança. É de cortar a respiração só de pensar que alguém passava por alguns desses caminhos, no entanto, a beleza é tal que vale a pena parar nalguns pontos para observar de longe, ou então, fazer alguns metros a pé, onde é possível.

Não sei quantos túneis existem na Ilha mas passámos por umas boas dezenas. É impressionante a obra feita e difícil de imaginar como seria antes, pois as estradas estreitas e o risco de queda de pedras das encostas não nos deixam assim tão descontraídos nalguns pontos.

Uma das principais atracções de Porto Moniz são os dois complexos de piscinas naturais para onde apetece mesmo “saltar”. Têm acesso para pessoas com mobilidade reduzida e segundo o site do município a entrada é gratuita para cidadãos portadores de cartão de deficiente com grau igual ou superior a 60 %.

Outro ponto a não perder é o Pico do Areeiro. Mais uma vez, paisagens fantásticas e, mais uma vez, estradas em que não se percebe como passam os grandes autocarros que aí fazem excursões. Não é o local mais alto da Ilha mas é o de melhor acesso ficando a 1818 metros. À medida que subimos vamos cortando as nuvens que dão um efeito maravilhoso quando se entrelaçam com os picos das montanhas.

Ao chegar ao Pico, reparo logo numa plataforma eléctrica para ultrapassar a escadaria e subir ao miradouro. Muito bem!!! O pior foi saber que estava avariado e, segundo algumas pessoas que aí trabalham, nunca funcionou…. Meus senhores? Pensaram bem, fizeram bem, gastaram o dinheiro e .. nunca funcionou??? Não consigo entender!!!

Do Pico do Areeiro sai um dos percursos pedestres mais bonitos da ilha, segundo dizem, difícil para muitos, impossível para outros. Não fiz nenhum por falta de tempo, mas fiquei com muita vontade de fazer  “Um Caminho Para Todos”, acessível a pessoas com mobilidade reduzida. Explorem aqui.

Seguimos em direcção a Paúl da Serra mas o caminho estava fechado devido a obras e optámos por outro. O Paúl da Serra é o local mais plano da Ilha ficando a 1500 metros de altitude. Daqui, partem muitos dos caminhos pedestres em várias direcções atravessando, alguns deles, a Floresta Laurissilva, considerada Património Natural da Humanidade pela UNESCO em 1999.

Na costa leste, fomos até Machico, uma cidade rica em cultura, história e natureza. Foi aqui que tudo começou em 1419 quando navegadores portugueses descobriram a Madeira. Se fizer uma pesquisa, vai encontrar uma série de actividades que pode fazer mas o melhor, mesmo, foi encontrar uma praia acessível.

Machico revelou-se um cantinho muito agradável onde almoçámos muito bem, mais uma vez!

A gastronomia da Madeira, só por si, justifica uma visita à Ilha, pelo menos para quem gosta de petiscos, como eu. Lapas e Bolo do Caco, teve que ser todos os dias! As famosas espetadas em pau de louro acompanhadas com os cubos de milho frito são maravilhosas, os filetes de peixe espada são uma delicia, o atum marinado, um belo petisco que, neste momento, já ia!!! Bem, o melhor é passar já à Poncha e terminar em beleza.

A Ilha da Madeira é uma autêntica maravilha da natureza! Tem muito para explorar, as pessoas são uma simpatia e sempre disponíveis. A gastronomia é irresistível e de arrasar com qualquer dieta. O clima ameno convida a uma visita em qualquer altura do ano e é impossível não nos rendermos a tantos encantos.

Apesar das dificuldades encontradas, como diz Miguel Torga, em qualquer Viagem,  “O que importa é partir, não é chegar”.

JustGo!!

(Não, não me esqueci do Funchal. Dedicarei um artigo,  apenas, à capital da Ilha.)

Links úteis:

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