Praga é uma cidade pequena pelo que dois ou três dias são suficientes para a conhecer. No entanto, é uma cidade encantadora, parecendo que estamos num cenário de um filme da Disney. Cada prédio prende o nosso olhar, já que  cada um é mais bonito que o outro. 

Chegámos de comboio à estação principal de PragaPraha hlavní nádraží (Praha hl.n.),  e a pior coisa que fizemos foi pedir indicações sobre qual a saída que deveríamos tomar. Andámos para cima e para baixo, de elevador, e estávamos nós mais orientados do que o funcionário que nos tentou ajudar. Se não tivéssemos perguntado, teríamos saído pela porta principal da estação e seguido caminho até ao hotel, que ficava muito próximo. 

Praga não é das melhores cidades para quem se desloca numa cadeira de rodas. Os passeios até estão rebaixados no entanto, são em calçada, o que não facilita. Do mesmo modo, a estrada é em pedra grossa e desalinhada o que dificultou muito a deslocação mesmo com a minha rodinha.

As ruas de Praga são um encanto, muito bonitas mesmo! Não é por acaso que o centro histórico de Praga é Património Mundial da UNESCO. Ruas estreitas, praças lindas e cheias de vida. É uma cidade alegre onde encontramos uma esplanada em cada canto que cruzamos. Cafés, bares e discotecas por todo o lado fazem de Praga uma das cidades da Europa Central com mais animação, respirando-se cultura a cada passo.

 Uma das maiores atracções da Praça da Cidade Velha, além da praça que, por si só, é maravilhosa, é o relógio astronómico e o desfile dos seus doze apóstolos a cada hora. Infelizmente, não o conseguimos ver porque estava tapado para obras de restauro. A Torre do Relógio pode ser visitada mas nem todas as zonas estão acessíveis a quem se desloca em cadeira de rodas. Toda a informação no próprio site.

Mas a Praça não se esgota no relógio pois os edifícios que a rodeiam são deslumbrantes, destacando-se a Igreja de Nossa Senhora de Týn em estilo gótico e as suas, altíssimas, torres, aliás, Praga é conhecida pela cidade das cem torres. A Igreja tem entrada com acesso a cadeira de rodas.

Além das Torres, Praga tem também um enorme número de pontes que ligam as duas margens do rio Moldava. Entre elas destaco a Ponte Carlos, a mais bonita e antiga da cidade. Se for a Praga vai passar por lá de certeza! É o que fazem todos os turistas que visitam a cidade pois é uma das suas maiores atracções, principalmente ao pôr do sol. Ao longo da ponte, vamos encontrando dezenas de estátuas de santos, cada uma com a sua história e associada a uma lenda. As estátuas foram sendo colocadas ao longo de séculos e, neste momento, são apenas cópias já que as originais estão em museu. Tudo isto faz com que esteja sempre repleta de pessoas tornando-se difícil conseguir apreciá-la ao pormenor. 

Ao passar pela ponte vai reparar no lindíssimo Castelo, no lado da Cidade Baixa, que não pode deixar de visitar.  Dada a inclinação das ruas, o problema vai ser chegar lá se estiver em cadeira de rodas e não quiser usar transportes. Foi o que nós fizemos! Com uma cidade tão bonita fomos andando, andando até que, a certo ponto, o F teve que me empurrar e não foi mesmo nada fácil para ele chegarmos até lá. A minha sugestão é que não o faça, pois existem muitas opções e talvez o eléctrico seja a melhor.

Para quem tem mobilidade reduzida, é possível visitar o Castelo ainda que algumas zonas não estejam acessíveis . Terá toda essa informação ao adquirir o bilhete, pois existem várias opções de circuitos. Na página dos Edifícios históricos do Castelo estão assinalados os que têm acessibilidades. Segundo o site oficial do Castelo nem a pessoa nem o acompanhante pagam bilhete, embora nos tenham cobrado uma entrada. Fica aqui a dúvida do porquê. 

O melhor é reservar meio dia só para o Castelo. Na visita ao Castelo, há que ter em atenção que à medida que vamos andando nos vamos afastando da entrada, ou seja, da saída sem obstáculos, pois no final, apenas existem opções com escadas. Foi o que nos aconteceu e aí começou a aventura… Quando chegámos ao final nem nos lembrámos que teríamos de voltar para trás fazendo o mesmo percurso. O F estava cansado, depois do que teve que me empurrar para cima.  Embora com algum receio, a única opção que encontrámos foi descer por uma estrada inclinadíssima, de pedras irregulares, que ninguém sabia onde ia ter, e quem está em cadeira de rodas sabe que descer, por vezes, é mais difícil do que subir, ou mais perigoso… Foi, então, que o F teve a brilhante ideia: se passam carros uma cadeira também passa … e lá fomos nós. Cada vez mais inclinada, e sem se conseguir ver o final, comentei que a estrada poderia não ter saída do complexo do Castelo e poderia ser apenas uma estrada interna, ao que o F respondeu que, nesse caso, não iria subir-me e que alguém teria de me ir buscar. Foi aí que fiquei sem pio! Desportos radicais para quê? Adrenalina ao máximo! … Não foi preciso, afinal tinha saída, ufa!! No regresso, passámos pelo Muro de tributo ao John Lennon. Foi no dia da morte do artista que um grupo de estudantes decidiu, em sua homenagem, transcrever os seus poemas num muro da cidade. Naquela altura, mesmo contra as autoridades e a proibição de o fazerem não desistiram e o muro foi-se mantendo até hoje, não com as pinturas originais que entretanto, foram sendo cobertas por outras.

Josefov, o Bairro Judeu, foi onde outrora se concentraram duas comunidades Judaicas. Apesar de ter sido mandado destruir, devido às más condições em que se encontrava, e ter sido reconstruído, no final do SEC. XIX, continua a ter muitos vestígios desta ocupação que valem a pena uma visita. É muito curioso o facto do bairro e cemitério não terem sido destruídos pelos Nazis, uma vez que Hitler queria fazer daqui o Museu para uma raça extinta. O cemitério dos judeus era o único da zona e, uma vez que a lei judaica não permite a remoção de túmulos, o amontoado de lápides em cima umas das outras é impressionante.

Ginger e Fred, (alusivo a Ginger Rogers e Fred Astaire), ou a Casa Dançante, é uma obra de arquitectura moderna, de Frank Gehry e Vlado Milunic. Na altura da sua construção levantou muita polémica no entanto, agora, parte do roteiro de Praga. É um edifício de escritórios, lojas e, mais recentemente, de um hotel com umas vistas fantásticas sobre a cidade assim como o bar/restaurante panorâmico que se encontra no último andar.

 

Quer fazer um jogo em Praga? Tente encontrar as obras de David Cerny. Elas estão espalhadas por toda a cidade, nos sítios mais improváveis, e pelas quais vale a caça ao tesouro. É um artista contemporâneo Checo conhecido pela audácia, ousadia e provocação com as suas obras controversas.

Nós descobrimos seis! De longe, vimos a Torre Žižkov por onde sobem os bebés Miminka, que viemos a encontrar, depois também, no chão, no parque Kampa. Fomos à caça de mais um tesouro e deparámo-nos com Kůň, o cavalo ao contrário da estátua de São Venceslau. Apreciámos as várias versões da cabeça de Kafka. À entrada do Museu Franz Kafka estava o Piss, as estátuas que, voltadas uma para a outra, estão a urinar e atenção!, mais à frente numa das ruas, há que olhar para cima para ver Sigmund Freud pendurado.

São muitos os estilos arquitectónicos que encontramos ao longo das ruas e ruelas de Praga e é essa mistura que a torna tão fascinante. O Templo de São Nicolau, em estilo Barroco,  ou a Casa Municipal, um edifício lindíssimo, em estilo Art Nouveau, são apenas dois exemplos dessa diversidade. É uma cidade cheia de Igrejas, catedrais e monumentos.Assim como, à chegada, foi difícil sair da estação, agora, no regresso, foi igualmente difícil entrar para apanhar o autocarro para o aeroporto. Apanha-se o autocarro na estação velha e nós entrámos pela estação nova,  pois ficam ao lado uma da outra. O problema foi que, pela rua, para atravessar a avenida que as separa faz-se por um túnel subterrâneo em que o elevador estava avariado. A única hipótese seria passar, por baixo, através da ligação entre as duas estações. Aqui é que foi o grande problema! Nós não encontrávamos o elevador e ninguém parecia saber dele!! Perdemos tanto tempo que chegámos ao aeroporto no exacto minuto em que o checkin fechava. É melhor não facilitar!

Ficámos hospedados no NYX Hotel Prague. O hotel fica muito bem localizado, no centro, num edifico histórico recuperado, com uma arquitectura muito bonita. Com uma decoração moderna e descontraída, seria uma boa opção se eu tivesse ficado num quarto adaptado, como solicitei e me garantiram que ficaria. Ao fazer o checkin, informaram-me que o quarto adaptado estava ocupado e que ficaria numa suite maior. Assim foi, realmente! A suite era enorme e muito, muito boa. Mas não foi o que pedi e comprei! Mostrei a minha insatisfação mas não fiz reclamação porque ia ficar apenas duas noites e contava com a ajuda do F, caso fosse necessário. A casa de banho tinha um banco no duche mas sem qualquer barra de apoio para auxílio.

Apesar destes reparos mais negativos, não se pense que não adorei Praga, uma cidade linda e apelativa!

JustGo!!

Ano da viagem: 2018

Links Úteis: Accessible Prague

btr

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