Já há alguns anos que eu e o F. falávamos na volta ao mundo, mas era sempre um pouco em tom de brincadeira (eu nem tanto, sempre quis fazê-lo). Trabalhávamos os dois e financeiramente não nos era possível deixar os empregos para o fazer. Por mim teria posto a hipótese de uma licença sem vencimento, que acabei por colocar, mas o F. nunca pensou em fazê-lo.

Claro que tem muitas desvantagens, pois uma viagem destas em tão pouco tempo não permite conhecer muitos locais, é tudo um pouco a correr, além de se tornar muito mais cara. Mas, por outro lado, é o concretizar um sonho e ficar a conhecer locais tão longínquos onde não iria mais do que uma vez. Para mim fazer grandes viagens de avião é um tormento e tudo começou com a ideia de ir à Austrália, mas … aproveitamos e vamos até à Nova Zelândia. Bem, a Polinésia Francesa está mesmo ali ao lado, quem não tem o sonho de ir até ao paraíso? E a partir dai, já não vale a pena voltar para trás, pelo que … já agora damos a volta! E assim foi.

Como organizar uma volta ao mundo quando se tem pouco tempo?

Primeiro tem que se querer muito, principalmente quando pensamos fazê-lo em tão pouco tempo. Não vai ser uma viagem barata, pelo que é melhor ponderar se vale a pena fazê-la ou se será preferível dividi-la em várias viagens que nos permitem ficar mais tempo em cada um dos locais e consequentemente ficar a conhecê-los melhor.

Antes de mais talvez seja melhor definir o orçamento que temos para esta viagem sendo que facilmente se ultrapassa o valor estipulado, por isso a organização é fundamental. São muitos os factores a ter em conta, mas os principais são:

  • Quais os países a visitar;
  • Altura do ano, época alta ou baixa, clima;
  • Viagens de avião;
  • Alojamento;
  • Alimentação;
  • Deslocações por terra, aluguer de carro, transportes públicos;
  • Seguros de viagem;
  • Consulta de viajante;
  • Vistos para entrar nos países;
  • Carta de condução internacional (ter em atenção qual é necessária para cada país);
  • Passaporte;
  • Atividades a realizar.

Escolher os destinos

Primeiro começamos por escolher os destinos que gostaríamos de visitar e a partir daí começamos a definir um roteiro. Tendo em conta a proximidade de locais, o mais provável é que se venham a deixar cair alguns e a acrescentar outros.

Consoante os destinos escolhidos há que ponderar qual a melhor altura do ano para se fazer a viagem. Aqui depende do gosto de cada pessoa e do tipo de viagem, mas acho que todos gostamos de viajar com tempo ameno, no meu caso é tentar apanhar calor em todos os sítios. Viajar com chuva ou com frio implica sempre uma logística mais complicada, além de que, quando viajamos no inverno os dias são mais pequenos e aproveita-se menos. Viajar para locais em época alta vai implicar sempre gastar mais dinheiro e apanhar mais confusão, pelo que é de evitar.

A primeira coisa a estudar são os voos e a melhor forma de minimizar os gastos e de aproveitar o máximo possível em cada local. Nem todas as ligações são possíveis de fazer entre os destinos escolhidos. No nosso caso, tivemos que fazer várias alterações até chegarmos ao roteiro final. O resultado a que chegámos não foi a nossa primeira opção, mas foi a melhor em termos de custo e tempo.

Explico como comprar voo e pedir assistência no artigo: Viajar de avião para quem tem mobilidade reduzida.

A minha volta ao mundo

Malásia, Austrália, Nova Zelândia, Polinésia Francesa e EUA, estes foram os países escolhidos depois de analisarmos todas as variáveis que assinalei. Para lá fizemos escala no Dubai e para cá em Toronto, isto porque não gosto de fazer viagens que durem mais do que 8 horas.

Roteiro inicial:
Malásia – visitar Kuala Lumpur.
Austrália – visitar Sydney e Brisbane e fazer uma road trip entre estas duas cidades, parando em Byron Bay e Gold Coast.
Nova Zelândia – começar em Queenstown e fazer uma road trip até Christchurch e daí voar até Auckland.
Polinésia Francesa – ficar uma noite no Tahiti porque chegamos de madrugada e no dia seguinte apanhar o ferry até Moorea.
EUA – visitar Los Angeles e fazer uma road trip até São Francisco.

Também existem bilhetes Volta ao Mundo, que analisámos, mas decidimos que não compensavam no nosso caso. Para mais informações sobre este assunto sugiro que leiam o artigo do Filipe Morato Gomes, do blog Alma de Viajante, Como comprar bilhetes Volta ao Mundo, que explica muito bem este assunto.

Se os planos vão mudando ao longo da organização e planeamento da viagem, eles também mudam depois no local. Há sempre condicionantes de última hora que podem alterar planos, pelo que temos sempre que contar com isso.
Foi o que aconteceu em Sydney. Percebemos que ia chover muito no dia em que íamos para a zona das montanhas e desistimos. Ainda bem que o fizemos, pois choveu mesmo muito e seria a primeira vez que o F. ia conduzir à direita. Assim, comprámos voo, à última da hora, e partimos dois dias depois para Brisbane.

Alojamento

Em relação ao alojamento, no meu caso, levo já tudo marcado para ter a certeza de que vou conseguir um hotel com quarto adaptado e disponível, na zona que quero. Nem todos os hotéis têm quartos adaptados e os que têm, normalmente, são apenas um ou dois, pelo que é melhor garantir a disponibilidade.
Para se poder ir alterando o plano o melhor é reservar com opção de cancelamento gratuito. É um pouco mais caro, mas torna-se mais fácil e menos dispendioso na hora de alterar planos. Faço normalmente as reservas no Booking.com.

Explico como escolher e reservar hotel no artigo: Hotel acessível | Como reservar.

Deslocações/Transportes

Há que analisar a forma como nos vamos deslocar nos locais. Assim que chegamos ao aeroporto temos que ir até ao hotel e a nossa opção é quase sempre usar transportes públicos como o comboio, metro ou autocarro, raramente usamos táxis. Levamos já tudo estudado, mas, dependendo do destino, há normalmente informação bem sinalizada no aeroporto. O melhor método é consultar os sites dos Aeroportos do mundo ou o Rome 2 Rio que tem toda esta informação e facilmente se percebe o que fazer. Há que ter em atenção se vai ser necessário pagar o transporte em dinheiro e para isso é preciso levantá-lo antes, no aeroporto.

Para andar de transportes públicos convém estudar as vantagens que existem, em alguns destinos, de comprar os cartões pré-pagos, que permitem carregamentos, porque vão ficar mais baratos se utilizados com alguma frequência.

Se vamos andar de carro no destino, por vezes levamos já a reserva feita, com opção de cancelamento gratuita, também. Neste caso há que ter em atenção, consoante o destino, qual a carta de Condução Internacional. Neste caso o Fernando precisou de duas diferentes, já que a da Austrália e Nova Zelândia são diferentes da dos EUA. Verificar no site do IMT.

Vistos e autorizações

Não esquecer o fundamental para qualquer viagem, os vistos e autorizações para entrar nos países. Há que verificar se o país exige um visto e convém fazê-lo com alguma antecedência, pois, por vezes, o processo é simples, basta preencher os formulários online e a autorização chega passado pouco tempo, noutros casos tudo é mais complicado e moroso.

Passaporte

Bem, sem passaporte é que não damos uma volta ao mundo, pelo que, no caso de já o terem, há que verificar se está válido e que faltam mais de seis meses para caducar, muitos países pedem esse prazo, caso contrário, convém tratar com antecedência devido aos atrasos e para não ter que se pagar mais para o conseguir com urgência.

Consulta de viajante

Consulta de viajante é, quanto a mim, imprescindível para alguns destinos. Se optarem por fazer através do SNS, há que marcar com antecedência para conseguirem vaga a tempo e no caso de serem recomendadas vacinas as consigam fazer antes de ir. A consulta deve ser feita um a dois meses antes da viagem.
Não esquecer de levar a medicação necessária para pequenas eventualidades e a que for sugerida em consulta.

Seguro de viagem

Por último, mas muito importante, o seguro de viagem. Não faço viagens sem fazer um, pois os imprevistos em viagem acontecem, eu que o diga, e o melhor é irmos precavidos e descansados. Uso normalmente os da IATI e, como afiliada do programa deles, posso oferecer um desconte de 5% se o comprarem através deste link: IATI Seguros.

Fazer a mala

Dificilmente se consegue fazer uma volta ao mundo sem apanhar alterações de clima o que implica mais bagagem. Roupa para o frio e para o calor, roupa para a praia e para a chuva, acessórios, etc. Tentar levar o menos possível é o jogo. O bom é contar com as lavandarias, que já existem em muitos hotéis e de rua, e ir lavando roupa ao longo da viagem. Perde-se algumas horas, mas poupa-se no peso que carregamos na hora das deslocações.

No caso dos aviões, há que verificar as regras para transporte de medicamentos, mas não esquecer de levar a bordo alguma medicação de que necessite e as respectivas declarações médicas, se necessário. Não tive qualquer problema com a medicação que levei nem me pediram nada, nem nesta viagem nem noutra que já fiz.

Actividades/visitas/passeios

Se estão a pensar realizar algumas atividades nos locais que vão visitar, convém verificar no site a opção de compra de bilhetes online, pois, muitas vezes, fica mais barato, além de que, se forem muito concorridos, podem esgotar. No caso de andar em cadeira de rodas, deve verificar se tem desconto e como pode usufruir dele, por vezes só é possível comprar no local, e para isso pode ser que precise de levar o atestado multiusos para validar o grau de incapacidade.

Mais detalhes sobre organização de viagens no artigo: Como organizar uma grande viagem.

Fazer uma viagem de volta ao mundo é um desafio que é preciso ser bem pensado e ponderado. Ainda mais se feito em tão pouco tempo, pois inevitavelmente vai ser cansativo e, para algumas pessoas, pode ser um risco fazer tantas viagens de avião e passar tantas horas sem descansar. Mas vale cada momento, cada país e cada aventura que se vive.

JustGo!!

Links Úteis:

Portal das comunidades portuguesas: Informação sobre vistos, passaportes, cuidados de saúde entre outros. Conselhos aos viajantes.
SNS24 Consulta do Viajante: Informação sobre a consulta do viajante.
Instituto da Mobilidade e dos Transportes: Informação sobre a Carta de Condução Internacional.
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