Vamos jantar fora? Ora aí está uma pergunta que nos alegra quase sempre.

Quem não está sempre pronto para uma saída descontraída de convívio com os amigos, com a família, ou para um encontro romântico?

Depois de um ano confinados e privados de saídas, todos sentimos falta das coisas boas da vida e estar com a família e os amigos, em momentos agradáveis e de diversão, é uma delas.

O grande problema é que uma ida a um restaurante nem sempre é um momento descontraído para todas as pessoas. O simples facto de combinar jantar ou almoçar fora, um programa que dá prazer a qualquer pessoa, a mim deixa-me, à partida, na dúvida sobre se o restaurante é acessível, se tem casa de banho adaptada ou se vou conseguir estacionar perto e dirigir-me ao local, sem ter que pedir ajuda. E assim, um momento de descontração pode transformar-se num momento de stress!

De facto, não vejo razão para um restaurante não ter acessibilidades. Imaginem que não existem casas de banho nos restaurantes e que vão a um jantar, onde podem beber e comer o que vos apetece, e, depois, continuam a noite num bar ou numa discoteca, também sem casa de banho! Acham que vão estar descontraídos?

Muitas vezes, antes de ir a um restaurante tenho que ligar para perguntar se é acessível e se tem casa de banho adaptada. Mesmo assim, nem sempre a resposta que recebo me vai ajudar, isto porque a pessoa que me atende não percebe o que quer dizer acessível. Tenho que explicar que uma casa de banho larga não quer dizer que é acessível ou que um pequeno degrau à entrada já é um obstáculo. Acontece, também, muitas vezes o restaurante ter casa de banho adaptada, mas esta servir de armazém e estar cheia de tralha o que, além de ser muito desagradável, impede que uma pessoa em cadeira de rodas se consiga movimentar lá dentro. Outra situação que acontece em restaurantes com casa de banho adaptada é o caminho até lá não estar desimpedido. 

Por vezes, ao reservar uma mesa, mesmo num restaurante que já sei que é acessível, tenho que dizer que vai uma pessoa em cadeira de rodas porque nem todas as mesas estão acessíveis, já que estão em cima umas das outras.

Há uns meses, fui a um restaurante em que as casas de banho, incluindo a adaptada, estavam no andar de baixo, acessível por escadas e por elevador, no entanto, para eu conseguir entrar no elevador tiveram que vir duas pessoas tirar tudo o que impedia que eu lá chegasse. Além de ser incómodo para mim, implicou que duas pessoas tivessem que parar de trabalhar no serviço do restaurante para me darem assistência.

Assim, para que um restaurante seja acessível, a pessoas em cadeira de rodas, deve estar livre de obstáculos, ter uma casa de banho adaptada e, de preferência, os empregados devem ter formação adequada. Se o restaurante tiver um site, deve indicar a existência de acessibilidades e, se for acompanhado com fotografias, será perfeito. Inclusivamente, se existir um sistema online de reservas deverá ter um campo para indicar que vai uma pessoa em cadeira de rodas, isto no caso de nem todas as mesas serem acessíveis.

Em resumo, para que uma pessoa em cadeira de rodas possa usufruir de uma experiência agradável, num restaurante, este deve ter:

  • Acesso livre de obstáculos, com entrada de nível ou com rampa;
  • Espaço de circulação entre as mesas;
  • Mesa de quatro pés e com uma altura confortável para cadeira de rodas;
  • Casa de banho acessível com barra de apoio na sanita;
  • Estacionamento adequado (quando aplicável).

Deve, ainda, contemplar, para outras pessoas com necessidades especiais:

  • Ementas em Braille;
  • Solução para clientes surdos como, por exemplo, uma App com vídeos em Língua Gestual Portuguesa/Sinais internacionais;
  • Ementas específicas para clientes com alergias alimentares;
  • Aceitar a presença de um cão de assistência.

Quando um restaurante não é acessível a todos, estamos a falar de:

  • Incumprimento da lei – Decreto-Lei nº163/2006, de 8 de Agosto, que define o regime da acessibilidade aos edifícios e estabelecimentos que recebem público, via pública e edifícios habitacionais;
  • Discriminação;
  • Falta de hospitalidade;
  • Perda de oportunidade de negócio;
  • Serviço de pouca qualidade.

A maior parte das vezes, quando vou a um jantar de grupo, ou sou eu a escolher o restaurante, ou a pessoa responsável por fazê-lo pede quase sempre a minha opinião, por isso, sempre que eu rejeito um restaurante, devido às acessibilidades, este perde uma série de clientes e uma oportunidade de negócio.

A acessibilidade, além de ser uma obrigação legal, é um ato de cidadania que mostra preocupação com as pessoas, sejam elas portadoras de mobilidade reduzida, permanente ou temporária, onde se incluem idosos, grávidas, crianças, pais com carrinhos de bebé, ou seja, todos nós!

JustGo!!

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