Trocar o avião pelo carro significa muitas coisas. Significa que o destino é perto, que não vai haver obrigação de horários, que, de certa forma, vou mais descontraída e que, provavelmente, vou repetir alguns destinos. Nesta roadtrip por Espanha e França, repeti vários. No entanto, alguns, dado o tempo que passou desde que lá estive pela primeira vez, é como se fosse tudo desconhecido. Aconteceu-me em Andorra e em França.

Espanha e França – itinerário:

  • Espanha – Madrid, Barcelona
  • Andorra – Andorra-a-Velha
  • França: Toulouse, Rocamadour, Sarlat-La-Canéda, Tours, Castelos de Chambord e Chenonceau, Blois, Amboise, Bordéus
  • Espanha: Valladolid

Madrid e Barcelona, as duas primeiras paragens, já conheço bem, e, se adoro Madrid, vou começando a gostar muito de Barcelona. Esta, de facto, é uma cidade muito bonita, organizada, com muita vida e, no que toca a acessibilidades, está no topo das cidades mais preparadas onde já estive.

De Barcelona seguimos para França por Andorra onde, depois de almoço, tentámos dar um passeio que a chuva não deixou, pelo que continuámos viagem. Ainda deu para apreciar a paisagem, mas por muito pouco tempo, já que o dia ficou de tal maneira escuro e com a tempestade que apareceu, não se via um palmo à nossa frente. Fazer os Pirenéus debaixo de chuva torrencial e com queda de granizo à mistura foi aterrador, mas, felizmente, chegámos bem ao nosso próximo destino: Toulouse.

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Toulouse

A cidade cor-de-rosa, como é conhecida devido às fachadas dos prédios serem em tijolo, foi uma agradável surpresa. Revelou-se-nos uma cidade pacata, mas com muita vida, cheia de esplanadas, e com um centro histórico bonito e caloroso.

Esta é a capital europeia da aeronáutica e da indústria espacial. Aqui encontra-se a Airbus, o maior fabricante de aeronaves da Europa, onde fica a Cidade do Espaço que é um Parque Temático dedicado ao assunto, e, ainda, um museu com a exposição de muitas aeronaves lendárias como, por exemplo, o Concord.

Toulouse é uma cidade para explorar a pé, sem grandes inclinações de terreno e com boas acessibilidades, passeios rebaixados e piso liso, na maioria das ruas, apesar de, algumas do centro histórico, serem em pedra.

Dois dias chegaram para ficar com uma ideia da cidade e daqui seguimos para Sarlat-La-Canéda, parando, no caminho, em Rocamadour, um local de peregrinação famoso pelos Santuários, “suspensos” num penhasco, e pela Virgem Negra que uma voluntária fez questão que eu visse. Rocamadour está dividido em três pisos, ao longo do Penhasco. No superior está o Castelo, no do meio o Santuário e na base as casas de habitação e comércio.

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Rocamadour

Alicia perguntou-me se eu queria ver a Virgem Negra. Tendo respondido afirmativamente, pediu-me que esperasse enquanto ia buscar as chaves que dão acesso ao elevador. Passado um pouco, veio muito triste porque não as encontrou. Confortei-a dizendo-lhe que não havia problema, que ficaria para outra oportunidade. Já íamos embora, quando a vejo vir em minha direcção com as chaves e tão feliz que não fui capaz de lhe dizer que já estava a ficar tarde para nós. Subimos à Capela e esteve sempre comigo com todos os cuidados e a explicar-me tudo. No final, ainda pediu se podia rezar por mim. É bom cruzarmo-nos com pessoas assim!

O local é classificado Patrimônio Mundial da UNESCO e, por incrível que pareça, é possível visitá-lo em cadeira de rodas. A melhor opção é deixar o carro no parque P2 onde estão localizados os elevadores que descem ao Santuário e à vila. No Santuário, como já referi, existe um elevador privado com acesso à capela onde está a Virgem Negra. Basta pedir.

Sarlat foi a pérola da viagem! Foi a primeira cidade medieval a ser recupera em França, na região de Périgord e é um verdadeiro encanto. Percorrer as suas ruas estreitas é fazer uma viagem à Idade Média e tentar perceber como se vivia nessa época, pois aqui encontramos uma grande densidade de edifícios históricos e monumentos por metro quadrado.

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Sarlat-La-Canéda

Em todas as ruas existem bares e restaurantes, com esplanadas e lojas de produtos locais, maioritariamente de comida típica da zona. O mercado de Sarlat funciona numa antiga igreja, Sainte Marie, muito pequena, e estende-se pelas ruas, o que, para quem gosta de mercados, se transforma num espetáculo, dizem, muito bonito que, infelizmente, não conseguimos ver pois acontece, apenas, às quarta-feiras e sábados.

O piso das ruas é em pedra e, apesar de não ser dos piores, não é o melhor para quem anda em cadeira de rodas pelo que recomendo um equipamento auxiliar para uma deslocação mais segura, como por exemplo uma Freewheel.

De Rocamadour a Sarlat-La-Canéda, fizemos grande parte do caminho por estradas secundárias, acompanhando o Rio Dordogne, o que, realmente, vale muito a pena pois o cenário é lindíssimo cheio de quintas bucólicas, castelos e palacetes por todo o lado, que nos remetem para os filmes franceses.

O nosso próximo destino foi o Vale do Loire com o objectivo de visitar os Castelos de Chambord, Chenonceau e, se conseguíssemos o de Amboise. Ficámos hospedados em Tours.

Toulouse

JustGo!!

Ano da Viagem: 2021

Links Úteis:

Toulouse: Mapa com acessibilidades aqui. Alguma informação sobre meios de transporte aqui.

Rocamadour: Informação sobre acessibilidades aqui.

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