Continuando a nossa roadtrip por Espanha e França, seguimos para Tours.

Já chegámos tarde e cansados a Tours, pelo que saímos apenas para comer qualquer coisa e, sinceramente, não ficámos muito encantados com o local. Voltámos no último dia a explorar mais um pouco a cidade para lhe dar uma oportunidade e deixar-nos com uma ideia melhor, o que aconteceu, mas sinceramente não conquistou. Talvez não lhe tenhamos dado o tempo suficiente.

O que conquistou, e muito, foram os Castelos que visitámos. De manhã o de Chenonceau que é encantador e de tarde, infelizmente, ficámos apenas pela tentativa de visitar o de Chambord já que nos exigiram o certificado digital de vacinação contra o Covid-19 ou um teste, e apenas eu o tinha. Este é um monumento de tamanha grandeza e imponência que, nem que seja por fora, vale a pena ver.

A zona do Vale de Loire é maravilhosa. Só nesta zona existem mais de 20 Castelos e o de Chenonceau é um dos mais bonitos e mais visitado em França. É, também, conhecido por Castelo das Damas por ter sido construído e depois alterado e restaurado pelas mulheres que, sucessivamente, o habitaram. A originalidade de ser em ponte sobre o Rio Cher, juntamente com os seus jardins dão-lhe uma beleza única.

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Chenonceau

É possível visitar o Castelo em cadeira de rodas, mas apenas no piso de baixo, não sendo possível ver a cozinha, na cave, com grande pena minha, já que é uma das partes que mais gosto. Do mesmo modo o piso superior também não é acessível. é ainda possível visitar o hospital militar e os jardins. O acesso é feito pela entrada principal através de rampas.

O Castelo de Chambord é uma magnífica obra do Renascimento, classificado Património Mundial da UNESCO. Não se sabe ao certo quem foi o arquitecto que a projectou, mas é conhecida a influência de Leonardo da Vinci na sua construção, principalmente, na escadaria espiral, em dupla hélice, em que, quando duas pessoas usam as escadas opostas ao mesmo tempo, elas nunca se cruzam.

É possível visitar o Castelo em cadeira de rodas, mas não na totalidade. Existe casa de banho adaptada e no parque de estacionamento há lugares para PMR que não se pagam, se apresentarmos dístico.

Como não pudemos visitar Chambord, fomos até Blois, que fica muito perto, onde aproveitámos para almoçar e conhecer a cidade que é muito acolhedora e tem um centro histórico pequeno mas muito bonito. De regresso a Tours, fomos seguindo o Rio Loire para apreciar a beleza da zona até chegar a Amboise. Como já chegámos tarde, o Castelo Real estava fechado. No entanto, apesar de não ser tão bonito como os anteriores, a envolvência com as margens do Rio e a cidade a protegê-lo, dão-lhe um enquadramento muito bonito.

Chambord

Para a despedida de França, fomos descontrair dois dias em Bordéus, o que foi uma boa escolha. Mais uma cidade descontraída, cheia de vida e bonita de explorar. Em termos de acessibilidades, revelou-se mais uma cidade fácil para quem anda em cadeira de rodas, à semelhança do que aconteceu nas anteriores.

Falar de Bordéus é falar de vinho. São inúmeras as quintas com vinha à volta da cidade onde se podem fazer provas dos seus famosos vinhos, mas, para quem não vai com muito tempo, pode sempre optar por visitar a Cidade do Vinho, um museu dedicado a toda essa temática, que só pela arquitectura do edifício vale a pena espreitar.

Mas a cidade não se esgota com o vinho já que o património histórico é de tal maneira rico que encontramos inúmeros edifícios classificados e alguns Património da Humanidade. Como alternativa, pois esta é também uma cidade moderna, principalmente na margem direita do rio, podemos visitar o Ecossistema de Darwin, um espaço alternativo, inserido num antigo quartel recuperado, em que o ecológico e o sustentável são ponto assente e onde encontramos a implementação de projectos criativos e originais.

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Bordéus

Por falar em modernidade não posso deixar de falar da Cité Frugès, um bairro, projectado por Le Corbusier e Pierre Jeanneret, de arquitectura de vanguarda, classificado Património Mundial da Humanidade pela UNESCO.

Como a viagem de regresso a casa era muito grande optámos por dormir uma noite a meio caminho, em Valladolid.

Ficámos a saber que existe um concurso anual de pinchos e claro lá fomos nós atrás dos premiados. Surpresa das surpresas! Que maravilha! Se não conhecem deviam conhecer o Los Zagales e de preferência depois de uma semana de jejum para conseguirem provar tudo. Parecíamos crianças a olhar, a fotografar (coisa que não tenho por hábito fazer) e a provar. Não estávamos mesmo à espera daquele misto de sensações e sabores tão bons. Para mim, pinchos eram bocados de pão com várias coisas por cima, em camadas, presas num palito. Pois preparem-se para uma coisa completamente diferente. Isto é espetáculo merecedor de palmas no final.

Com o entusiasmo, quase me esquecia de falar da cidade. Não vimos muito, mas o que vimos foi de barriga cheia, por isso pareceu tudo bem. Esplanadas e muita animação ao final da tarde, ou não fosse uma cidade espanhola. Piso liso, passeios rebaixados onde foi fácil andar.

Foram 15 dias, quase 4mil km de estrada, dois países e sete cidades que resultaram numa viagem tranquila sem grandes percalços. O trânsito em França era muito, principalmente na entrada e saída das cidades, com muitas autocaravanas, caravanas e camiões, mas que, apenas, implicou que fossemos mais devagar. Os hotéis foram uma surpresa agradável, já que fazer uma roadtrip pernoitando em sete cidades, em que em seis delas encontro o hotel com toda a adaptação de que preciso, sendo que o sexto apenas não estava tão perfeito como os anteriores, é uma estimativa muito boa! Explico tudo no artigo: Roadtrip Espanha – França, hotéis com acessibilidade.

JustGo!!

Ano da Viagem: 2021 roadtrip por Espanha e França

Links Úteis:

Chambord – Informação sobre acessibilidades aqui.

Chenonceau: Informação sobre acessibilidades aqui.

Bordeus: Informação sobre acessibilidades aqui.

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